Archive for the ‘ Cultura ’ Category

Rio Grande Maior que o Mundo

O Marcus GrandeAbóbora Nunes e eu tivemos a idéia para o melhor blog do mundo, e um dos 10 mais do Rio Grande Do Sul, o RioGrandeMelhorEmTudo.

Recentemente cobrimos de maneira totalmente imparcial, do jeito que só um Gaúcho sabe fazer, o único apagão da história Rio-Grandense, que acabou por ocorrer junto com o apagão semanal do Resto do Brasil.

Então vão lá e confiram estas e outras histórias da República Rio-Grandense.

Dos sonhos bizarros

Noite dessas eu tive um sonho fantástico:

Sonhei que era ditador do Brasil, e decretava pena de morte para todos os que conjugassem verbos com pronomes oblíquos.

“Daí a Zuricleide me deu uma vassoura pra mim varrer a calçada”. FORCA.

Contra a Evolução descontrolada da língua

Evolução, no título é usado num sentido bem generoso, que fique claro.

Você já falou com algum recém-graduado de Letras? A maioria deles vai te dizer que O Certo É O Que O Povo Fala™, o que é uma das maiores asneiras acadêmicas dentre as muitas que repassam para todos, de todos os cursos (como o coordenador da Engenharia da Computação da PUCRS que acredita que Química Fundamental é útil para o curso).

Toda a língua evolui, sofre mutações e se adapta ao seu meio. Novas palavras são inventadas e palavras antigas caem em desuso (hoje em dia até arcaico se tornou arcaico). E há um grupo que advoca por deixar a língua seguir seu rumo. Eu concordaria com isso se os falantes médios do português tivessem um QI superior ao número do seu sapato (©Cardoso), o que não é verdade.

Eu sou altamente gramaticalmente intolerante, mas até estava me controlando bem, me segurando pra não escrever este post, até ver isso:

LEIAUTE? ARE YOU FUCKING KIDDING ME?

LEIAUTE? ARE YOU FUCKING KIDDING ME?

(Via Twitter da Fabiane Lima)

Tem duas coisas muito erradas com isso: Layout é uma palavra em inglês e não deveria, em hipótese alguma, ser considerada uma palavra do português, embora o seu uso possa ser aceito. Leiaute… Tenho mesmo que explicar o que tem errado com LEIAUTE?

E isso só vai piorar, porque as crianças não lêem, acham que falar miguxês é bonito e ser culto é fora do comum, e, como tal, discriminado.

As linguas, bem como a vida, acham um jeito. A tarefa das pessoas cultas é fazer com que esse seja o melhor dos caminhos.

Só me entristece mais que isso é quando alguém me diz que não sabe usar mesóclise. Vamos lá, todo mundo:

Mesóclise: usá-la-ei!

Da Inutilidade das Traduções

Eu tive sorte de ter nascido em uma família que valoriza a cultura, ao contrário da maioria dos brasileiros. Aprendi a ler cedo, não devia ter quatro anos ainda, e desde então não parei. Estou sempre lendo algo, me sinto até mal caso passe muito tempo sem ler.

E também tive a chance de aprender inglês desde cedo, morar fora, adquirir fluência. Graças a isso eu leio muito em inglês, e de uns anos para cá, passei a dar preferência para o texto original sempre que possível.

Há muito tempo eu me irritava com traduções mal feitas, como o clássico “It will be decided by general will” que virou “será decidido pelo General Will” ou num filme de futebol americano (acredito que era Duelo de Titãs) em que a torcida gritava “Miss! Miss! Miss!” e a legenda dizia “Moça! Moça! Moça!”. Finalmente há algum tempo eu cheguei a uma conclusão a respeito das traduções que inclusive me compeliu a remover da minha lista de livros lidos todos os que tenha lido traduções e começar a pensar em aprender alemão para ler Nietzsche.

Não existem traduções. Existem interpretações de um texto alheio.

Quem já leu Nietzsche ou Shakespeare em português sabe do que eu estou falando quando vê notas de rodapé que duram 3 ou 4 páginas para explicar o porque que aquela palavra em específico foi escolhida para aquele lugar no texto.

E foi daí que surgiu a teoria de uma maneira mais generalizada (que o Marcus me apontou não ser matemática). São duas partes, então vamos lá.

Peguemos duas línguagens quaisquer, diferentes entre si. Vamos chamá-las de x e y. Agora pegue duas palavras, uma de cada uma dessas línguas, cujo significado objetivo é o mesmo. Vamos chamá-las de a e b, sendo a uma palavra de x e b uma palavra de y. Observe que, aparentemente, uma pode ser traduzida para a outra. Agora listemos todos os significados de a e todos os significados de b. Não há bijeção. Praqueles que não estudaram teoria dos conjuntos, uma bijeção acontece quando há uma função que mapeia todos os elementos de um conjunto em outro, e sua função inversa mapeia todos os elementos do outro conjunto no um. Neste caso, para todo o significado de a (que pertence a x) há um e somente um significado de b (que pertence a y) que é equivalente.

Se houvesse uma bijeção nestes termos entre duas palavras de línguas diferentes, seria possível traduzir estas palavras entre si sem qualquer perda semântica, mas isto é impossível. Pode fazer o teste, mesmo com palavras de línguas extremamente próximas como o português e o espanhol. Pegue um bom dicionário de ambas as línguas, ache as palavras e compare os significados. Pelo menos a intensidade implícita de pelo menos um dele não será correspondida.

Tá acompanhando até aqui?

Agora, um argumento possível aqui seria de que traduções não devem ser feitas palavra-por-palavra, mas sim preservar o significado de uma sentença entre línguas. E é justamente aí que entra esta minha teoria. Será preservado um significado, aquele que o tradutor percebeu ao ler o texto original. Além disso, vários significados diferentes do original podem ter sido adicionados à sentença não intencionalmente.

E tem mais: pegue duas línguas novamente. Pode ser quaisquer línguas, desde que não sejam ambas a mesma. Existe sempre pelo menos uma palavra em uma dessas línguas que não tem nenhum significado em uma palavra da outra língua. Esta parte da teoria é mais intuitiva, já que estamos cansados de ouvir que saudade não pode ser traduzida corretamente para nenhuma outra língua.

Então toda tradução é uma empreitada fútil e uma agressão ao texto original, ao escritor e aos leitores. E nem me deixe começar com as dublagens!

Evite o CineSystem São Leopoldo!

Hoje eu fui ver Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and The Half-Blood Prince), acompanhado de papai e mamãe, que já haviam visto todos os filmes anteriores. Resolvi dar uma chance ao CineSystem do shopping Bourbon de São Leopoldo, ao invés de ir a Canoas no Cinemark.

Primeiro é necessário dizer que gostei muito do filme. Mesmo tendo sido tomadas várias liberdades em relação à história, o filme ficou realmente bom, pelo menos para quem conhecia a história previamente. O tom sombrio foi muito bem-vindo, equilibrando a falta de seriedade de O Cálice de Fogo (Harry Potter and The Globet of Fire) e da seriedade e depressão mais forte de A Ordem da Fênix (Harry Potter and The Order Of The Phoenix). Recomendo ver o filme, ele é, discutivelmente, o melhor até agora.

O que eu não recomendo, porém, é vê-lo no CineSystem São Leopoldo. Veja bem que nós que moramos ao Norte de Porto Alegre temos poucas opções de cinema. Ir a Porto Alegre pode ser complicado, então nos sobra o Cinemark em Canoas, o CineSystem em São Leopoldo e o GNC Cinemas em Novo Hamburgo.

Depois de uma ou duas decepções com o Cinemark (como uma sala que estava com o áudio invertido), resolvi dar uma chance para o CineSystem, contra meu bom-senso, já que a última vez que fui ver algo lá, o filme foi exibido em um trapezóide, como se tivessem chutado o projetor.

O resultado desta vez não foi igual: foi imensamente pior. A começar pelo preço. 14 reais a entrada. Mas estudante paga meia, 10 reais. Opa. Alguém não sabe matemática, e não sou eu. Ao entrar na área das salas, fomos informados que deveríamos nos dirigir à Sala 4. Onde é o raio da Sala 4? Vejo banheiros, sala 2, 3, 1… Um pouco mais, em direção à saída, sala 5. Cadê a 4? Eventualmente a achamos e nos sentamos bem ao fundo, para perceber que o fundo da sala nos faria ver a tela de cima, causando a ilusão de um trapésio. Nos movemos algumas fileiras mais para a frente para o que parecia ser o Sweet Spot.

Daí que a merda começou. O áudio das salas vizinhas vazava para a nossa sala, causando uma vibração quase tão desconfortável quanto os acentos das poltronas, apertados, duros e em ângulos retos demais.

E do nada começa uma propaganda, com o áudio altamente distorcido e, sem que as luzes se apaguem, vem o logo da Warner, todo sombrio e estamos no filme. As luzes continuam acesas pelos próximos 20 minutos mais ou menos (até o Harry e o Dumbledore saírem da casa do Slughorn, mais precisamente) e o áudio continua distorcido. Vale lembrar que a tela é em proporção 4:3 ou aproximada, e a maioria dos filmes, incluindo este, são filmados em 16:9 ou 2:1, sobrando barras acima e abaixo da imagem em cinemas normais. Não no CineSystem, onde eles projetaram na metade inferior da tela, causando certa distorção e forçando 90% dos espectadores a inclinar a cabeça alguns graus para baixo.

O áudio só atrapalhou durante o filme. Os graves estavam muito mais altos do que deveriam, além do supracitado vazamento de som das salas vizinhas.

E, para completar, deixaram um infeliz levar seu macaquinho de estimação filho de no máximo 3 anos de idade mental para ver o filme legendado. O macaquinho retardado a criança berrou, chorou, bateu pé, correu, brincou de carrinhos e atrapalhou nossas vidas de maneiras diversas pelas quase duas horas do filme.

Intolerância (ir)religiosa

Ser ateu é um perigo ocupacional. Na verdade, ser qualquer coisa, hoje em dia, é um perigo ocupacional. Eu tive um professor que dizia não formar opinião sobre absolutamente nada para evitar ser odiado. Não assistia futebol, votava em branco, ouvia MPB (nada contra, mas é uma escolha fácil, praticamente ninguém tem algo contra). Até ele era cristão.

Ser cristão é a norma, é a única coisa inteiramente socialmente aceita. Em dúvida, diga ser católico não-praticante, isto não vai te excluir de nenhum grupo de pessoas medianamente inteligentes. Já ser anti-cristão.

Prova disto é como há um número muito maior de termos pejorativos para os não-cristãos. Praticante de religião afro é automaticamente macumbeiro, e toda macumba ou saravá é maligno. Um crente (sem conotação pejorativa aí) nunca vai se referir a um ateu como “ateu”. A palavra dá medo. Se utilizá-la, será precedida de um artigo indefinido e carregada com asco. “Fulano é Um Ateu“, e não “Fulano é ateu“. Pode parecer insignificante, mas troque ateu por negro e todo o preconceito fica mais claro (no pun intended).

O perigo ocupacional está no fato de que crentes são intolerantes e têm absoluta certeza de que a sua fé (baseada em interpretações distorcidas de textos mal-traduzidos e alterados) é a única verdade™, aleluia e glória irmãos.

E, enquanto nós ateus também podemos ser religiosamente intolerantes, nós normalmente temos um mínimo de noção de não basear todas as nossas decisões nisso. Um ateu daria um emprego a um crente, mas o inverso é muito mais difícil de acontecer. Se você acha isto estranho, troque ateu por homossexual e crente por homofóbico. Os personagens mudam, o quadro é o mesmo. As minorias sempre têm a mente mais aberta.

Opa, minoria? Minoria em relação a quê? No quadro geral de religiões, sim, ateus são minoria, quando comparados com Cristãos, Muçulmanos, Hindus e afins. Agora, limitando-se o domínio da função, nós chegamos a dados mais realistas. Vamos ver qual o percentual de ateus com nível superior. Agora, com um diploma superior numa ciência exata. Trabalhando com pesquisa na área. Já devemos ter chegado perto dos 95%.

Basta ver que quem teve uma educação melhor, foi incentivado a ler e, principalmente, pensar, acaba se descobrindo ateu. Claro que este não é o único fator, de todos os que estudaram nas mesmas escolas que eu, devo conhecer uns 3 ateus hoje em dia. (Que se assumem ateus. Sair do armário é muito complicado, justamente por culpa da intolerância alheia). O MrManson escreveu um texto ótimo, aliás, convidando todos os ateus enrustidos a sairem do armário.

Esta intolerância não era tão visível há alguns anos. O movimento ateu nem mesmo existia há 20 anos, o que havia era alguns poucos corajosos que se declaravam ateus (e provavelmente eram apedrejados). Com o advento da internet e da pseudo-anonimicidade por ela provida muito mais ateus resolveram sair do armário. Mas com ela também veio a inclusão digital, e muita gente cujo único livro com o qual teve contato foi a Bíblia [1] teve a oportunidade de entrar em contato com a informação. Mas aí já era tarde demais. Já havia toda uma geração completamente brainwashed que não queria informação útil nova, e sim negar tudo o que lhes é contrário.

Estas pessoas parecem passar seus dias procurando no google por keywords como ateu, capeta, diabo ou pensamento racional para mostrar para todos os hereges deste mundo o caminho da salvação, porque nós obviamente não aceitamos o senhor Jesus Cristo nosso Deus e Salvador aleluia irmãos, glória, glória, porque não sabemos que temos a opção. É o mito da caverna dos dias modernos. Eles nunca conheceram um mundo onde o pensamento livre é não só valorizado como encorajado.

Isto gera pérolas como esta e praticamente qualquer thread no Fórum Góspel.

Para mim a maior marca da intolerância destas pessoas é a frase “vou rezar por você”. É mais ou menos como dar um DVD da Brasileirinhas para um homossexual na esperança de que ele descubra que gosta da coisa.

[1] Eu sei que é uma coleção de livros, não precisa explicar.

(Meu orgulho é ter escrito um manifesto ateu com, segundo o wordpress, exatas 666 palavras até aqui)

Este blog continua vivo

Eu já cansei de ler em metablogs que não se faz esse tipo de post, mas eu devo uma satisfação aos meus leitores (ou àqueles que continuam assinando o feed mesmo depois de um mês de total displiscência minha).
O fato é que eu curso Engenharia de Computação, e (quem cursa sabe) isso é coisa de masoquista. No fim das contas, eu mal estava tendo tempo para dormir, que dirá postar no blog.
Mas a idéia é voltar, agora com tudo. Aguardem novidades, vou dar uma boa reformada por aqui.
Aproveite para me seguir no twitter, aliás, que lá eu estou sempre.
Por sinal, alguém sabe como adicionar tags aos posts no ScribeFire?

Agora vai!

Fã é bicho chato mesmo

Há alguns meses eu fui ver Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal no fim-de-semana de estréia. Simplesmente adorei o filme, tudo do velho Indiana Jones estava lá. Claro que não era Os Caçadores da Arca Perdida 2.0, mas ficou pau-a-pau com A Última Cruzada. Baita filmão, valeu cada centavo.

Aí, por um acaso, passo por um review do filme. Os críticos (que são, lembrem-se, nada mais que cineastas frustrados) odiaram o filme do fundo do coração adiposo deles. “Decepcionante” era uma palavra que eu via em todos os reviews.

Ontem, então, eu fui ver Clone Wars. Outro filme fantástico, mas, dessa vez, devem ser mantidas as devidas proporções. Ele é o piloto de uma série de TV, e é uma animação, logo, não deve ser comparado aos outros filmes. É um filme mais leve no quesito dilemas morais, muito mais bem-humorado, e com um estilo próprio.

Novamente, os críticos e fãs atacaram fervorosamente o filme. A maioria disse odiar o estilo visual, o que é no mínimo estranho, já que é parecidíssimo com o estilo da série animada Clone Wars, e esta fez um sucesso tremendo, como apontou o Cardoso.

Meu conceito de fã deve ser diferente do senso comum, aliás. Para mim, fã é aquele que adora o trabalho de uma banda, uma série, um filme, e não aquele que odeia fervorosamente cada novidade de seu objeto de idolatria. Eu entendo perfeitamente porque os críticos odiaram o filme. Esse é o trabalho deles, aparentemente. Eles devem adorar filmes independentes, feios à base de maconha e cachaça, e odiar a mainstream. Se um filme que eles viram quando crianças (quando ainda não eram burros suficiente para odiá-lo só porque todo mundo adorava) é refeito, ganha uma seqüência ou uma preqüência, um spin-off, mesmo que igualmente bom ou melhor, eles devem odiá-lo com todas as forças. É assim que eles ganham dinheiro. Ninguém lê uma crítica de cinema, por sinal, para ouvir a opinião da massa.

Eu me considero um fã de ambas as séries, e não digo fã incondicional por considerar isso redundante. Eis a diferença: eu não sou fã de Matrix. Sou fã do primeiro Matrix.

Ninguém deveria se dizer fã de Star Wars, Indiana Jones ou RBD que seja no momento que diz sinceramente que odeia uma parte.

 
SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline