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Campo de POP – Problema de Outra Pessoa

O grande gênio literário do século XX, Douglas Adams, em A Vida, O Universo e Tudo Mais, um dos 5 livros que compõem a trilogia* d’O Guia do Mochileiro das Galáxias nos apresentou a um conceito interessante: O Campo de POP.

- Um POP é alguma coisa que não podemos ver, ou não vemos, ou nosso cérebro não nos deixa ver porque pensamos que é um problema de outra pessoa. É isso que POP quer dizer: Problema de Outra Pessoa. O cérebro simplesmente o apaga, como um ponto cego. Se você olhar diretamente para ele, não verá nada, a menos que saiba exatamente o que é.

A Vida, O Universo e Tudo Mais, Douglas Adams

Campo de POP (Problema de Outra Pessoa) faz com que os problemas considerados alheios sejam completamente ignorados pelas pessoas que os vêem, graças à tendência natural que temos ao poucosefudismo (termo técnico para a capacidade de não dar a mínima).

Os campos de POP estão presentes no nosso cotidiano em maior parte ao redor de repartições públicas, empresas de Telecom e ao redor de todo o resto do mundo, a partir do ponto de vista de um auto-proclamado sofredor.

Sofredores auto-proclamados são uma classe inteira de pessoas que têm a capacidade de criar campos de POP ao redor de absolutamente tudo, graças ao seu poder de auto-convencimento da suprema importância de seus problemas. Os problemas de absolutamente todo o resto do mundo são completamente banais e portanto ignoráveis em comparação ao deles. Este fenômeno é especialmente notado em meninas adolescentes, empregadas domésticas, pobres e outros pouco-mais-que-símios em geral. Também é conhecido como “a grama do vizinho é sempre mais verde” pelos mais otimistas.

Obviamente uma boa dose de campos de POP é necessária para uma vida saudável. Aqueles que se preocupam com todos os problemas de todo o mundo são chamados de mártires, loucos ou hipócritas.

*Sim, eu sei.

A arte de manipular estatísticas

Antes de começar, vamos fazer um teste bem rápido. Uma pesquisa revela que 18% dos acidentes de trânsito são causados por mulheres no volante. O que se pode concluir disso?

Vamos lá, pense. O que se pode extrair desta estatística?

A maioria das pessoas vai concluir que mulheres dirigem melhor. Isto não é, necessariamente, verdade. Vamos mudar o sujeito da pesquisa e ver o que é concluído. Digamos que a mesma pesquisa indique que 35% dos acidentes de trânsito são causados por motoristas embriagados. Se você aceitar na primeira que isso se deve a mulheres dirigirem melhor que homens, você é obrigado a aceitar que dirigir embriagado é mais seguro do que dirigir sóbrio.

A segunda estatística é parcialmente válida. Ela não considera os acidentes indiretamente causados por motoristas bêbados, muito provavelmente, porque isso elevaria muito a proporção.

Já a primeira estatística não prova absolutamente nada. Digamos que o número de mulheres motoristas seja 5 vezes menor do que o de homens. Ignorando-se esta proporção, o valor parece baixo, mas se ela for levada em conta, vê-se que mulheres causam muito mais acidentes que homens. Vale lembrar que todos esses dados são hipotéticos.

A proporção correta deveria ser total de acidentes causados por mulheres pelo total de mulheres motoristas comparado ao total de acidentes causados por homens pelo total de motoristas homens. Só assim obtem-se uma idéia real de quem dirige melhor.

Esta é uma estratégia muito utilizada por empresas de software e partidos políticos. Mostrar estatísticas parciais, muitas vezes contra estatísticas totais, de modo a distorcer o resultado final, aproveitando-se da falta de conhecimento do brasileiro típico da teoria de conjuntos e de sua incapacidade de trabalhar com números percentuais.

Por essas e outras o ensino de matemática na escola deve ser profundamente revisto, aumentando sua carga-horária e mudando o método. O sistema está quebrado e o único modo de consertá-lo é repensar seus fundamentos.

É difícil se adaptar a outro país?

Se você é do tipo de pessoa que faz esta pergunta, a resposta é não.

Eu já cansei de ouvir esta pergunta, além de todas as suas variações. Outro que deve ouvir isso três vezes ao dia é o Izzy Nobre, que mora no Canadá, lucky bastard.

Antes de fazer esta pergunta é necessário, na verdade, fazer algo que muitos não estão acostumados a fazer: pensar. É difícil mudar de escola? De condomínio? De cidade? Chegar na casa da namorada nova? Com certeza pelo menos uma dessas coisas aconteceu contigo. Basta extrapolar.

A bem da verdade, não existe uma resposta pronta para esta pergunta, varia de pessoa para pessoa. Se você ainda está curioso, não, não é difícil eu me adaptar fora do Brasil. Difícil é me adaptar a ele.

Obviamente vai ser difícil para as pessoas do tipo que sentem, muito mais do que para aquelas que pensam. Sim, são mutualmente exclusivas. Nenhuma pessoa sente e pensa ao mesmo tempo.

Essas pessoas, as que sentem, têm mais dificuldade de se adaptar a ambientes diferentes (e isso vale para qualquer ambiente novo, seja a academia, a escola ou um país) porque tendem a se apegar demais a lugares. Quem sente é um ser de hábito – e todo hábito é mau.

Claro que um país diferente tem algumas barreiras maiores a serem quebradas. A cultura de um lugar pode ser diferente, e a língua, com certeza, é um fator de suma complexidade. Nesse caso vale o jogo de cintura: -Vocês são brasileiros, afinal de contas!

Falando em brasileiros, a maioria tem o péssimo hábito de tentar levar o Brasil consigo para o exterior. É só notar a quantidade de churrascarias, casas de pagode, comunidades de brasileiros e até mesmo CTGs espalhados pelo mundo. Isso é um hábito terrível, é impossível se adaptar a outro lugar sem viver seu dia-a-dia, sua cultura. Isso não significa deixar para trás tuda a sua bagagem cultural – apenas parte dela.

Outra preocupação comum é com o preconceito e a xenofobia. Sim, eles existem em todos os lugares, é da natureza humana. Mas isso não é regra nem excessão. O melhor que se tem a fazer é agir como um nativo. A fonte de toda a xenofobia é o medo de ter a sua própria cultura destruída por outro povo. Entenda, a cultura de um povo é a única coisa que ele tem dele mesmo. Uma tentativa de alteração por uma entidade externa é equivalente à tentativa de abdução de um filho de sua mãe – e o povo reagirá como tal.

Basicamente, será tão difícil se adaptar quanto você o fizer. Pense, não sinta, e tente se adaptar, e você estará em breve integrado à sua nova sociedade.

Para que lado a tia tá girando?

Sem pensar muito, olhe para a tia rodopiando aí embaixo e responda: Para que lado ela gira?

Sentido horário? Sentido anti-horário? Tanto faz, você pode ver qualquer um deles. Tudo depende de qual lado do teu cérebro é predominante, segundo pesquisadores da universidade de Yale [alguém pode confirmar isso?]. Se você vê ela girando no sentido horário, você está usando o lado direito do cérebro para processar a imagem, se ela girar no anti-horário, o lado esquerdo.

Eu não acredito muito em testes de QI, muito menos um tão simples, mas reza a lenda que se você pode ver a imagem girar para qualquer um dos dois lados (momento Roger: eu consigo), seu QI está acima de 160. Mas segundo a fonte original, 14% da população americana consegue vê-la para qualquer lado, a vontade, sem a necessidade de piscar ou tirar os olhos da imagem. Mas aí vem a pergunta que não quer calar: se os americanos são tão inteligentes, porque elegeram o Bush?

[Via Gerador de Improbabilidade Infinita]

 
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