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Da Elite Cultural Brasileira

Várias vezes eu usei como argumento e justificativa para a minha arrogância o fato de eu fazer parte da elite cultural brasileira, mas nunca parei para definí-la.

Primeiro é importante dizer de onde isso veio. Hoje, pela milhonésima vez, eu ouvi que devo procurar um psicólogo, que eu tendo a diminuir as outras pessoas em relação a mim mesmo, que este é um comportamento nocivo, etc, etc, etc. A validade deste argumento não vem ao caso, o que importa é o porque de eu fazê-lo.

Superioridade total à parte, alguns de nós somos claramente superiores aos outros em um aspecto pelo menos. A elite cultural de qualquer lugar é justamente o (seleto) grupo de pessoas que se destacam por fazer a vanguarda, criar as novas tendências culturais e de certo modo ditar para onde a cultura popular deve ir.

Este não é um status que se ganhe da noite para o dia, nem se nasce com ele. Há somente um fator para pertencer a esta elite que deve vir de berço: a inteligência.

Vir de família rica é totalmente opcional, ao contrário da crendice popular. Ajuda, com certeza, mas não garante nada. Algumas das pessoas mais ignorantes e alienadas que eu conheço são justamente pessoas de poder aquisitivo muito superior ao meu, e encontro meus iguais em pessoas que vem de famílias não-tão-bem-de-vida.

A crendice popular, por sinal, é algo que não encontra seu nicho entre a elite cultural. Não que não tenhamos entre nós crentes de diferentes convicções. Somos ateus convictos e pagãos, fãs de Star Wars e de Senhor dos Anéis. O que não existe entre nós são preconceitos infundados, crenças pela crença, aceitação de uma fé por compromisso social.

Mas quem somos nós, então? O que torna alguém parte da Elite?

A resposta é simples: nós consumimos cultura. E cultura inteligente.

É importante delimitar a diferença da cultura de um povo e da cultura consumível. A cultura de um povo é a música folclórica, sua língua, sua identidade. Para a maioria de nós, essa cultura, o Samba, o Axé, o Saravá, se torna algo banal e desinteressante. Tão explorados de modos tão gananciosos, da exploração pela simples exploração, que não vale a pena nos preocuparmos com ele.

A cultura consumível nem sempre é local, mas também não precisa ser estrangeira. Embora o nosso momento cultural esteja em uma downward spiral, já tivemos grandes produtores de cultura: Renato Russo, Érico Veríssimo. Ainda temos alguns, como Moacyr Scliar, Seu Jorge (que merece um texto só para ele e sua capacidade de pegar um gênero banalizado e dar uma roupagem nova, transformando em Cultura Legítima).

A cultura que nos interessa é a música, os livros, os filmes. Literatura, no sentido mais amplo da palavra. Mas não qualquer uma, a Cultura Legítima. E o que seria ela? – Algo que adiciona à vida do consumidor; que muda sua vida.

Elite Cultural somos aqueles que definimos o rumo da cultura popular ao tentar sem medo e sem preconceito coisas novas. Fomos nós que trouxemos Crepúsculo para a mainstream, e cabe a nós retirá-lo de lá, agora que foi provado que é, sem eufemismos, uma completa porcaria. Fomos nós que colocamos os quadrinhos nas mãos de milhões de adolescentes, que colocamos o Homem-Aranha da adolescência de nossos pais nas telas de cinema, que demos o Oscar a um ator que interpretou um vilão maníaco-anarquista de uma História em Quadrinhos.

Já tivemos muitos nomes, já tivemos muitas faces. Hoje somos conhecidos como nerds.

Não ouça música alta na presença de helicópteros desgovernados

Era uma vez um pobre garoto canadense que gostava muito de ouvir música. Um belo dia ele foi atingido por um helicóptero que caía, e morreu.

Não, eu não inventei essa história aí. Nem o pessoal do Gizmodo, onde eu vi essa bizarrice.

Segundo relatos de testemunhas, a figura essa estava caminhando em direção à sua caixa de correspondência, totalmente alheio ao fato de que um helicóptero estava caíndo em sua direção. Os seus conhecidos (porque uma figura tão alienada não deve ter amigos) relatam que ele sempre ouvia música alta com fones de ouvido por baixo do capuz.

Bonn - test your hearing
photo credit: ➨ Redvers

Há, graças a isso, toda uma discussão a respeito da periculosidade de se usar fones de ouvido. Obviamente, se ele não estivesse ouvindo música alta, ele teria percebido que um helicóptero estava caindo em sua direção, dado três passinhos para o lado e sobrevivido, certo?

Então lembrem-se, crianças: não ouçam música com fones de ouvido na rua, porque pode ser que um helicóptero, um cometa ou um piano caia na tua cabeça. Certo…

 
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