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Rio Grande Maior que o Mundo

O Marcus GrandeAbóbora Nunes e eu tivemos a idéia para o melhor blog do mundo, e um dos 10 mais do Rio Grande Do Sul, o RioGrandeMelhorEmTudo.

Recentemente cobrimos de maneira totalmente imparcial, do jeito que só um Gaúcho sabe fazer, o único apagão da história Rio-Grandense, que acabou por ocorrer junto com o apagão semanal do Resto do Brasil.

Então vão lá e confiram estas e outras histórias da República Rio-Grandense.

Dos sonhos bizarros

Noite dessas eu tive um sonho fantástico:

Sonhei que era ditador do Brasil, e decretava pena de morte para todos os que conjugassem verbos com pronomes oblíquos.

“Daí a Zuricleide me deu uma vassoura pra mim varrer a calçada”. FORCA.

Intolerância (ir)religiosa

Ser ateu é um perigo ocupacional. Na verdade, ser qualquer coisa, hoje em dia, é um perigo ocupacional. Eu tive um professor que dizia não formar opinião sobre absolutamente nada para evitar ser odiado. Não assistia futebol, votava em branco, ouvia MPB (nada contra, mas é uma escolha fácil, praticamente ninguém tem algo contra). Até ele era cristão.

Ser cristão é a norma, é a única coisa inteiramente socialmente aceita. Em dúvida, diga ser católico não-praticante, isto não vai te excluir de nenhum grupo de pessoas medianamente inteligentes. Já ser anti-cristão.

Prova disto é como há um número muito maior de termos pejorativos para os não-cristãos. Praticante de religião afro é automaticamente macumbeiro, e toda macumba ou saravá é maligno. Um crente (sem conotação pejorativa aí) nunca vai se referir a um ateu como “ateu”. A palavra dá medo. Se utilizá-la, será precedida de um artigo indefinido e carregada com asco. “Fulano é Um Ateu“, e não “Fulano é ateu“. Pode parecer insignificante, mas troque ateu por negro e todo o preconceito fica mais claro (no pun intended).

O perigo ocupacional está no fato de que crentes são intolerantes e têm absoluta certeza de que a sua fé (baseada em interpretações distorcidas de textos mal-traduzidos e alterados) é a única verdade™, aleluia e glória irmãos.

E, enquanto nós ateus também podemos ser religiosamente intolerantes, nós normalmente temos um mínimo de noção de não basear todas as nossas decisões nisso. Um ateu daria um emprego a um crente, mas o inverso é muito mais difícil de acontecer. Se você acha isto estranho, troque ateu por homossexual e crente por homofóbico. Os personagens mudam, o quadro é o mesmo. As minorias sempre têm a mente mais aberta.

Opa, minoria? Minoria em relação a quê? No quadro geral de religiões, sim, ateus são minoria, quando comparados com Cristãos, Muçulmanos, Hindus e afins. Agora, limitando-se o domínio da função, nós chegamos a dados mais realistas. Vamos ver qual o percentual de ateus com nível superior. Agora, com um diploma superior numa ciência exata. Trabalhando com pesquisa na área. Já devemos ter chegado perto dos 95%.

Basta ver que quem teve uma educação melhor, foi incentivado a ler e, principalmente, pensar, acaba se descobrindo ateu. Claro que este não é o único fator, de todos os que estudaram nas mesmas escolas que eu, devo conhecer uns 3 ateus hoje em dia. (Que se assumem ateus. Sair do armário é muito complicado, justamente por culpa da intolerância alheia). O MrManson escreveu um texto ótimo, aliás, convidando todos os ateus enrustidos a sairem do armário.

Esta intolerância não era tão visível há alguns anos. O movimento ateu nem mesmo existia há 20 anos, o que havia era alguns poucos corajosos que se declaravam ateus (e provavelmente eram apedrejados). Com o advento da internet e da pseudo-anonimicidade por ela provida muito mais ateus resolveram sair do armário. Mas com ela também veio a inclusão digital, e muita gente cujo único livro com o qual teve contato foi a Bíblia [1] teve a oportunidade de entrar em contato com a informação. Mas aí já era tarde demais. Já havia toda uma geração completamente brainwashed que não queria informação útil nova, e sim negar tudo o que lhes é contrário.

Estas pessoas parecem passar seus dias procurando no google por keywords como ateu, capeta, diabo ou pensamento racional para mostrar para todos os hereges deste mundo o caminho da salvação, porque nós obviamente não aceitamos o senhor Jesus Cristo nosso Deus e Salvador aleluia irmãos, glória, glória, porque não sabemos que temos a opção. É o mito da caverna dos dias modernos. Eles nunca conheceram um mundo onde o pensamento livre é não só valorizado como encorajado.

Isto gera pérolas como esta e praticamente qualquer thread no Fórum Góspel.

Para mim a maior marca da intolerância destas pessoas é a frase “vou rezar por você”. É mais ou menos como dar um DVD da Brasileirinhas para um homossexual na esperança de que ele descubra que gosta da coisa.

[1] Eu sei que é uma coleção de livros, não precisa explicar.

(Meu orgulho é ter escrito um manifesto ateu com, segundo o wordpress, exatas 666 palavras até aqui)

A arte de manipular estatísticas

Antes de começar, vamos fazer um teste bem rápido. Uma pesquisa revela que 18% dos acidentes de trânsito são causados por mulheres no volante. O que se pode concluir disso?

Vamos lá, pense. O que se pode extrair desta estatística?

A maioria das pessoas vai concluir que mulheres dirigem melhor. Isto não é, necessariamente, verdade. Vamos mudar o sujeito da pesquisa e ver o que é concluído. Digamos que a mesma pesquisa indique que 35% dos acidentes de trânsito são causados por motoristas embriagados. Se você aceitar na primeira que isso se deve a mulheres dirigirem melhor que homens, você é obrigado a aceitar que dirigir embriagado é mais seguro do que dirigir sóbrio.

A segunda estatística é parcialmente válida. Ela não considera os acidentes indiretamente causados por motoristas bêbados, muito provavelmente, porque isso elevaria muito a proporção.

Já a primeira estatística não prova absolutamente nada. Digamos que o número de mulheres motoristas seja 5 vezes menor do que o de homens. Ignorando-se esta proporção, o valor parece baixo, mas se ela for levada em conta, vê-se que mulheres causam muito mais acidentes que homens. Vale lembrar que todos esses dados são hipotéticos.

A proporção correta deveria ser total de acidentes causados por mulheres pelo total de mulheres motoristas comparado ao total de acidentes causados por homens pelo total de motoristas homens. Só assim obtem-se uma idéia real de quem dirige melhor.

Esta é uma estratégia muito utilizada por empresas de software e partidos políticos. Mostrar estatísticas parciais, muitas vezes contra estatísticas totais, de modo a distorcer o resultado final, aproveitando-se da falta de conhecimento do brasileiro típico da teoria de conjuntos e de sua incapacidade de trabalhar com números percentuais.

Por essas e outras o ensino de matemática na escola deve ser profundamente revisto, aumentando sua carga-horária e mudando o método. O sistema está quebrado e o único modo de consertá-lo é repensar seus fundamentos.

É difícil se adaptar a outro país?

Se você é do tipo de pessoa que faz esta pergunta, a resposta é não.

Eu já cansei de ouvir esta pergunta, além de todas as suas variações. Outro que deve ouvir isso três vezes ao dia é o Izzy Nobre, que mora no Canadá, lucky bastard.

Antes de fazer esta pergunta é necessário, na verdade, fazer algo que muitos não estão acostumados a fazer: pensar. É difícil mudar de escola? De condomínio? De cidade? Chegar na casa da namorada nova? Com certeza pelo menos uma dessas coisas aconteceu contigo. Basta extrapolar.

A bem da verdade, não existe uma resposta pronta para esta pergunta, varia de pessoa para pessoa. Se você ainda está curioso, não, não é difícil eu me adaptar fora do Brasil. Difícil é me adaptar a ele.

Obviamente vai ser difícil para as pessoas do tipo que sentem, muito mais do que para aquelas que pensam. Sim, são mutualmente exclusivas. Nenhuma pessoa sente e pensa ao mesmo tempo.

Essas pessoas, as que sentem, têm mais dificuldade de se adaptar a ambientes diferentes (e isso vale para qualquer ambiente novo, seja a academia, a escola ou um país) porque tendem a se apegar demais a lugares. Quem sente é um ser de hábito – e todo hábito é mau.

Claro que um país diferente tem algumas barreiras maiores a serem quebradas. A cultura de um lugar pode ser diferente, e a língua, com certeza, é um fator de suma complexidade. Nesse caso vale o jogo de cintura: -Vocês são brasileiros, afinal de contas!

Falando em brasileiros, a maioria tem o péssimo hábito de tentar levar o Brasil consigo para o exterior. É só notar a quantidade de churrascarias, casas de pagode, comunidades de brasileiros e até mesmo CTGs espalhados pelo mundo. Isso é um hábito terrível, é impossível se adaptar a outro lugar sem viver seu dia-a-dia, sua cultura. Isso não significa deixar para trás tuda a sua bagagem cultural – apenas parte dela.

Outra preocupação comum é com o preconceito e a xenofobia. Sim, eles existem em todos os lugares, é da natureza humana. Mas isso não é regra nem excessão. O melhor que se tem a fazer é agir como um nativo. A fonte de toda a xenofobia é o medo de ter a sua própria cultura destruída por outro povo. Entenda, a cultura de um povo é a única coisa que ele tem dele mesmo. Uma tentativa de alteração por uma entidade externa é equivalente à tentativa de abdução de um filho de sua mãe – e o povo reagirá como tal.

Basicamente, será tão difícil se adaptar quanto você o fizer. Pense, não sinta, e tente se adaptar, e você estará em breve integrado à sua nova sociedade.

Da Elite Cultural Brasileira

Várias vezes eu usei como argumento e justificativa para a minha arrogância o fato de eu fazer parte da elite cultural brasileira, mas nunca parei para definí-la.

Primeiro é importante dizer de onde isso veio. Hoje, pela milhonésima vez, eu ouvi que devo procurar um psicólogo, que eu tendo a diminuir as outras pessoas em relação a mim mesmo, que este é um comportamento nocivo, etc, etc, etc. A validade deste argumento não vem ao caso, o que importa é o porque de eu fazê-lo.

Superioridade total à parte, alguns de nós somos claramente superiores aos outros em um aspecto pelo menos. A elite cultural de qualquer lugar é justamente o (seleto) grupo de pessoas que se destacam por fazer a vanguarda, criar as novas tendências culturais e de certo modo ditar para onde a cultura popular deve ir.

Este não é um status que se ganhe da noite para o dia, nem se nasce com ele. Há somente um fator para pertencer a esta elite que deve vir de berço: a inteligência.

Vir de família rica é totalmente opcional, ao contrário da crendice popular. Ajuda, com certeza, mas não garante nada. Algumas das pessoas mais ignorantes e alienadas que eu conheço são justamente pessoas de poder aquisitivo muito superior ao meu, e encontro meus iguais em pessoas que vem de famílias não-tão-bem-de-vida.

A crendice popular, por sinal, é algo que não encontra seu nicho entre a elite cultural. Não que não tenhamos entre nós crentes de diferentes convicções. Somos ateus convictos e pagãos, fãs de Star Wars e de Senhor dos Anéis. O que não existe entre nós são preconceitos infundados, crenças pela crença, aceitação de uma fé por compromisso social.

Mas quem somos nós, então? O que torna alguém parte da Elite?

A resposta é simples: nós consumimos cultura. E cultura inteligente.

É importante delimitar a diferença da cultura de um povo e da cultura consumível. A cultura de um povo é a música folclórica, sua língua, sua identidade. Para a maioria de nós, essa cultura, o Samba, o Axé, o Saravá, se torna algo banal e desinteressante. Tão explorados de modos tão gananciosos, da exploração pela simples exploração, que não vale a pena nos preocuparmos com ele.

A cultura consumível nem sempre é local, mas também não precisa ser estrangeira. Embora o nosso momento cultural esteja em uma downward spiral, já tivemos grandes produtores de cultura: Renato Russo, Érico Veríssimo. Ainda temos alguns, como Moacyr Scliar, Seu Jorge (que merece um texto só para ele e sua capacidade de pegar um gênero banalizado e dar uma roupagem nova, transformando em Cultura Legítima).

A cultura que nos interessa é a música, os livros, os filmes. Literatura, no sentido mais amplo da palavra. Mas não qualquer uma, a Cultura Legítima. E o que seria ela? – Algo que adiciona à vida do consumidor; que muda sua vida.

Elite Cultural somos aqueles que definimos o rumo da cultura popular ao tentar sem medo e sem preconceito coisas novas. Fomos nós que trouxemos Crepúsculo para a mainstream, e cabe a nós retirá-lo de lá, agora que foi provado que é, sem eufemismos, uma completa porcaria. Fomos nós que colocamos os quadrinhos nas mãos de milhões de adolescentes, que colocamos o Homem-Aranha da adolescência de nossos pais nas telas de cinema, que demos o Oscar a um ator que interpretou um vilão maníaco-anarquista de uma História em Quadrinhos.

Já tivemos muitos nomes, já tivemos muitas faces. Hoje somos conhecidos como nerds.

Como enganar o bafômetro

Não adianta chorar, a lei seca (nº 11.705) está aí. E não é necessário ser um advogado para descobrir que beber e dirigir vai dar cana (Han? Han? Entendeu o trocadilho? Beber. Cana!).

Obviamente há sempre aqueles que tentam, para o bem maior, dar um jeitinho brasileiro. Nesse caso, burlar o bafômetro.

Está rolando por aí um email, e um bando de blogs de quinta estão divulgando também, uma receita milagrosa para enganar o bafômetro. Dizem eles que se você não estiver totalmente acabado, e sair chupando gelo o bafômetro vai acusar menos de 0,2, e você se escapará (ou poderá alegar um bombom de licor, usar a boa e velha engenharia social. “O dotô disse que isso podia acontecê” e afins).

Reza a lenda que o gelo liberaria hidrogênio na sua boca, o que anularia a reação. O que quem escreveu essa pérola não sabe é que o gelo não libera hidrogênio. Qualquer um que tenha ido a duas aulas de química sabe disso, ou senão veríamos todos os dias no jornal a notícia de que um chupador de gelo acendeu um cigarro e explodiu…

MYDC0463 + I hate cigarettes, but it's so good. :) = KABOOM

Eu nem me impressiono mais que as pessoas caiam nessas coisas. A população, no geral, não pensa, e mistifica a ciência, acreditando em qualquer babuseira, como a história de que o LHC vai destruir o mundo, que meu xará do PortalCab tão bem desmentiu.

Claro que nenhuma dessas pessoas pensou na hipótese de quebrar a acidez do bafômetro com Hidróxido de Magnésio (vulgo Leite de Magnésio) e adicionar potássio (vulga banana) à mistura.*

*(Não, isso não é sério, mas vai ter um monte de salsas acreditando e tendo uma grande diarréia depois da próxima festa.)

Feliz aniversário para mim!

Que perigo, 18 anos hoje.

A vantagem? Nenhuma, só que agora posso ser preso. Oh, boy.

E também posso tirar carteira de motorista, que perigo, parte dois.

Aliás, alguém falou em beber, mas desde quando se importam com vender bebida a menores no Brasil?

Agora que eu sou maior de idade, sou 100% contra isso.

Cake
(Vai Caiiiiiiiiiiiiiiiir!) by elvissa

Aliás, parabéns para minha mãe também, que hoje completa idade para se aposentar. Que perigo, parte três.

Tele Entulho

Vá ao google e digite “tele entulho porto alegre”, para páginas do Brasil. Clicke em estou com sorte.


photo credit: tvol

Duvida?

Cuidado! A Vivo está roubando os seus dados.

Eu tenho um nojo de telemarketing que só vendo. Raiva, ódio.

Acabei de desligar o telefone de uma ligação muito instrutiva, porém.

Estava eu muito concentrado tentando implementar um algoritmo de ordenação de vetores, porque sou um bom menino nerd e faço os exercícios de programação com duas aulas de antecedência, e meu cebolar tocou.

O número era (11)71006327, um número de São Paulo, sendo que eu moro na grande Porto Alegre. Isso já é estranho o suficiente. Quando eu atendo, é uma representante da vivo, querendo me oferecer uma promoção. Imediatamente perguntei como ela conseguiu o meu número, já que meu celular é da Claro.

E esta foi exatamente a parte instrutiva da ligação. Ela me disse:

O Senhor deve ter ligado para algum número da vivo, algum celular de alguém, e o seu número ficou registrado no nosso sistema.

Então essa é a moral da história: quando você liga para um número da Vivo, eles armazenam o seu número no sistema deles, para poder te atormentar a vida posteriormente. Já não foi a primeira vez que me ligaram de lá, e não foi a primeira vez que eu recusei, mas dessa vez consegui que me dissessem, com todas as letras, como conseguiram o meu número.

Morto

Quando ela me perguntou porque eu estava recusando a oferta (que eu nem quis ouvir), eu disse o óbvio: não faria negócios com uma empresa que consegue os meus dados de maneira ilícita.

Por sinal, ela disse que isso é “procedimento padrão. Todas as empresas de telefonia fazem isso“. Engraçado que eu nunca recebi ligação da Tim, da Oi, da Brasil Telecom, etc. Alguém já?

 
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