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Etymotic Research ER4P, os melhores fones que eu já usei

Da série entregando o resultado do review no título.

Ontem eu tinha falado que havia comprado esses fones, e, bem, chegaram hoje.

Sério, a diferença é gritante. A qualidade sonora é absurda, mas somente se você já tem músicas em alta qualidade, como arquivos Lossless ripados de CDs. MP3 a 128kbps não vão funcionar bem com esse tipo de fones. Uma relação boa de se fazer é com o vídeo do youtube em tela cheia. É exatamente assim que o audio encodado em baixo bitrate parece, e na verdade, é bem assim que ele é. Esses fones só farão justiça a música em lossless em um player de qualidade. Não, o teu xingling não vai te servir nessa. Aliás, esses fones com certeza custam muito mais que qualquer xingling. Na verdade, custam mais que um iPhone 3G 8GB: US$299,99 com a fabricante, mas é possível encontrá-los por 200 no eBay, e foi o que eu fiz.

ER4P

(iPod não incluso)

O Kit vem em um lindo estojinho plástico e contém os fones, um estojinho menor de tecido e couro, um adaptador 1/4″ para o plugue, um clipe para camisa, filtros extras, uma ferramenta para remover os filtros, eartips de 3 tamanhos e um saquinho com 10 dessas totalmente isolantes, que se usa em fábricas.

O estojinho de tecido, devo confessar, não me agradou. Achei meio desconfortável colocar os fones nele, por ser meio pequeno e ter que dobrar demais o fio. E eu realmente preferiria não ter que dobrar o fio de um par de fones que custou mais caro que um par de Nikes. Vou usar o saquinho de veludo que veio com os meus Philips mesmo, acho.

O fio é bem grosso e duro (olha a mente suja!) forte e inflexível, o que é meio estranho no início, mas suponho que seja melhor do que deixar eles se partirem graças a um zíper dentro de uma mochila ou algo assim.

Eartips

É necessário brincar um pouco de trocar as pontas dos fones para ver a que melhor se adapta aos seus ouvidos, o que dá uma grande diferença no isolamento acústico e também na resposta dos graves.

Os graves, aliás, são uma questão interessante. Esses fones parecem frios e analíticos (o que é muito bom para música clássica, descobri), graças ao seu caráter profissional. Eles têm uma boa resposta de graves, mas são equalizados de uma maneira neutra, o que te dá mais liberdade com a música, mas é necessário brincar com o equalizador do seu player caso queira uma experiência mais envolvente. No início se estranha isso, principalmente quando se vêm de fones mais populares, como os da Philips que eu vinha usando, onde há por vezes um excesso de graves.

Depois de descobrir qual ponta que fica melhor para os ouvidos, o isolamento acústico é fantástico. Ouvindo música no meu iPod a bem menos da metade do volume máximo eu não ouço quase nada que vem de fora (na verdade, somente a minha barra de espaço semi-quebrada). Com as outras pontas (as cinza escuro, dentro do saquinho, na foto ali em cima) não se ouve absolutamente nada de ruído externo, mas essas são descartáveis. O manual recomenda não utilizá-las muitas vezes, mas não diz quanto é muito.

O isolamento chega a níveis insanos mesmo. É possível ouvir minha nuca rangir quando eu movo a cabeça para os lados se a música for calma.

Mas, denovo, isso pode ser ruim se o teu sistema de som não é bom o suficiente. O mini system que está ligado ao meu computador está com alguns cabos bem velhos, e vários plugues enferrujados. Nas caixas ou com fones normais não há ruído perceptível, mas com esses fones é possível ouvir claramente quão crítica está a situação.

Outra coisa a se considerar é que esses não são fones para se ouvir música com a namorada. Eles vão lá dentro do canal auditivo (e provavelmente algum médico vai me xingar ainda por usá-los), e eles ficam um tanto quanto nojentos com pouquíssimo uso, que seja.

No fim, os fones são fantásticos. Vale a pena? Com certeza, se você é um audiófilo ou músico (já que eles são muito usados em estúdios ou mesmo como retornos de palco). Se você tem um xingling onde ouve Calypso baixado a 128kbps no limewire… Bom, Calypso soa ruim no melhor dos sistemas de som de qualquer jeito.

Como o Twitter pode destruir um blog

O Twitter pode ser uma ferramenta (?) fantástica para os blogueiros. Acompanhando as Twittadas dos outros blogueiros, dá para se ter uma idéia ótima do que rola atualmente na blogosfera, e tirar umas boas idéias para posts. Mas também dá para se auto-destruir com ele. Explico: Eu tenho muito mais facilidade e paciência para sintetizar uma idéia em 140 caracteres do que para espichar ela, explicar cada detalhe dela. Este post todo poderia ter sido reduzido, por exemplo, em “Nossa, 4 dias sem atualizar meu blog. Twitter ainda vai me deixar desempregado.” Pronto, 78 caracteres.

Explicar bem uma idéia, explorar cada detalhe dela, não é para qualquer um. Nem sintetizar tanto, diga-se de passagem, mas procurar cada parte de uma idéia que pode não ser compreendida de imediato por outras pessoas exige muita empatia, habilidade que eu não tenho. Eu preciso me utilizar de lógica para procurar isso, pensar de forma não linear, e isso é um esforço muito maior do que eliminar cada pedaço óbvio de uma idéia.

Óbvio… Algo sobre o que a minha mãe sempre me fala, por sinal, é que normalmente o que é óbvio para mim, não é para o resto do mundo. Seja por conhecimento prévio, seja por simples facilidade em entender o assunto, em utilizar pura dedução lógica.

Assunto blogueiro sempre tem, senão não mereceríamos o título. Gosto por escrever também, senão faríamos textos medíocres e não ganharíamos dinheiro com o que fazemos (não que seja uma profissão tão rentável, se comparar número de horas trabalhadas sobre lucro líquido). O que pesa mesmo é a lei do menor esforço. O esforço de esmiuçar um assunto, pensar nele até que ele se esgote, escrever sobre ele, ordenar o texto, revisar, achar vocabulário, formatar o post… Tudo isso é grande demais, tudo isso cansa. O que nos mantém blogando, muitas vezes, é pelo simples amor por emitir opinião, nos diferenciar da massa, mostrar que pensamos, que somos mais inteligentes que a maioria. O Twitter nos deixa fazer tudo isso, em 140 caracteres, mas a visibilidade não é a mesma. A importância não é a mesma. Ninguém vai ser lembrado como “Um dos maiores twitteiros do Brasil”, e ser lembrado é o que importa. Ser lembrado é o que nos motiva, é o que prova que a nossa opinião está sendo ouvida e discutida, que estamos fazendo algo, que servimos de exemplo (mesmo que seja um mau exemplo).

Em menos de um mês usando o twitter, eu notei que a produtividade do meu blog caiu drasticamente. Quantas idéias que joguei fora, que teriam dado ótimos posts, se não fosse pela comodidade que o Twitter nos dá. Então eu me comprometi a twittar menos e pensar bem antes de fazê-lo. Não dá para deixar a ferramente escravizar o criador [de conteúdo].

O Twitter tem vantagens demais para ser deixado de lado, porém. Ele é um ótimo meio de auto-promoção. Os textos são tão curtos que, antes de que seja possível se vale ou não a pena lê-lo, já é possível tê-lo lido. Daí para que as pessoas notem que vale a pena acompanhar o que tu dizes, é um passo.

Acompanhar gente inteligente também é ótimo, muitas vezes não é óbvio para nós que algo vale a pena ser comentado, que renderia um post, até vermos o dito assunto ser comentado por outras pessoas. Às vezes não é nada óbvio que a nossa opinião pode ser tão polêmica que um post mais completo sobre o assunto seria interessantíssimo.

Twitter é como beber vinho, recomendado para quem sabe o que está fazendo.

 
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