Hoje eu fui ver Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and The Half-Blood Prince), acompanhado de papai e mamãe, que já haviam visto todos os filmes anteriores. Resolvi dar uma chance ao CineSystem do shopping Bourbon de São Leopoldo, ao invés de ir a Canoas no Cinemark.
Primeiro é necessário dizer que gostei muito do filme. Mesmo tendo sido tomadas várias liberdades em relação à história, o filme ficou realmente bom, pelo menos para quem conhecia a história previamente. O tom sombrio foi muito bem-vindo, equilibrando a falta de seriedade de O Cálice de Fogo (Harry Potter and The Globet of Fire) e da seriedade e depressão mais forte de A Ordem da Fênix (Harry Potter and The Order Of The Phoenix). Recomendo ver o filme, ele é, discutivelmente, o melhor até agora.
O que eu não recomendo, porém, é vê-lo no CineSystem São Leopoldo. Veja bem que nós que moramos ao Norte de Porto Alegre temos poucas opções de cinema. Ir a Porto Alegre pode ser complicado, então nos sobra o Cinemark em Canoas, o CineSystem em São Leopoldo e o GNC Cinemas em Novo Hamburgo.
Depois de uma ou duas decepções com o Cinemark (como uma sala que estava com o áudio invertido), resolvi dar uma chance para o CineSystem, contra meu bom-senso, já que a última vez que fui ver algo lá, o filme foi exibido em um trapezóide, como se tivessem chutado o projetor.
O resultado desta vez não foi igual: foi imensamente pior. A começar pelo preço. 14 reais a entrada. Mas estudante paga meia, 10 reais. Opa. Alguém não sabe matemática, e não sou eu. Ao entrar na área das salas, fomos informados que deveríamos nos dirigir à Sala 4. Onde é o raio da Sala 4? Vejo banheiros, sala 2, 3, 1… Um pouco mais, em direção à saída, sala 5. Cadê a 4? Eventualmente a achamos e nos sentamos bem ao fundo, para perceber que o fundo da sala nos faria ver a tela de cima, causando a ilusão de um trapésio. Nos movemos algumas fileiras mais para a frente para o que parecia ser o Sweet Spot.
Daí que a merda começou. O áudio das salas vizinhas vazava para a nossa sala, causando uma vibração quase tão desconfortável quanto os acentos das poltronas, apertados, duros e em ângulos retos demais.
E do nada começa uma propaganda, com o áudio altamente distorcido e, sem que as luzes se apaguem, vem o logo da Warner, todo sombrio e estamos no filme. As luzes continuam acesas pelos próximos 20 minutos mais ou menos (até o Harry e o Dumbledore saírem da casa do Slughorn, mais precisamente) e o áudio continua distorcido. Vale lembrar que a tela é em proporção 4:3 ou aproximada, e a maioria dos filmes, incluindo este, são filmados em 16:9 ou 2:1, sobrando barras acima e abaixo da imagem em cinemas normais. Não no CineSystem, onde eles projetaram na metade inferior da tela, causando certa distorção e forçando 90% dos espectadores a inclinar a cabeça alguns graus para baixo.
O áudio só atrapalhou durante o filme. Os graves estavam muito mais altos do que deveriam, além do supracitado vazamento de som das salas vizinhas.
E, para completar, deixaram um infeliz levar seu macaquinho de estimação filho de no máximo 3 anos de idade mental para ver o filme legendado. O macaquinho retardado a criança berrou, chorou, bateu pé, correu, brincou de carrinhos e atrapalhou nossas vidas de maneiras diversas pelas quase duas horas do filme.