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O pior do transporte público é o público

Eu estudo na PUC, em Porto Alegre, mas moro na região metropolitana. Isso significa que todos os dias eu pego um trem e um ônibus para ir, um ônibus e um trem para voltar. Dá uma hora e meia de viagem de ida, e outro tanto na volta. Tem que gostar muito da faculdade pra se submeter a isso.

O transporte público tem se mostrado estranhamente eficiente. Tanto o trem quanto os ônibus são pontuais o suficiente.

Mas não adianta. O povão é que me dá nos nervos. E nem é tão povão assim, tem uns tios engravatados e outros estudantes universitários tanto no trem quanto no ônibus.

As pessoas nunca conseguem entender que outras podem estar com pressa. Começa na escada: já é apertada, mal cabe uma pessoa ao lado da outra. Ao invés do infeliz deixar espaço pra alguém passar, ele pára no meio do degrau, e coloca um braço entre cada corrimão. Afinal, aquele trem que está parado vai pro outro lado.

Depois vem a hora de entrar no trem. As pessoas se acotovelam para entrar primeiro. Até faz sentido, levando em conta o que os outros fazem para se sentar. Ontem mesmo eu fui me sentar num dos poucos bancos vazios do trem (já que uma hora da minha viagem é nele) e uma infeliz se enfiou entre mim e o banco, quando minha bunda estava na metade do caminho já pro banco.

Depois tem a escada denovo, dessa vez pra sair. Todo mundo corre até a escada para ou parar na rolante ou descer beeeem de vagarzinho a não-rolante. Depois correm pras catracas pra parar na frente de uma e decidir se passam ou não.

Crash!
Creative Commons License photo credit: Mike Schmid

E aí vem o ônibus. Ele sai de 6 em 6 minutos da estação, normalmente. As pessoas já não se acotovelam tanto por falta de espaço mesmo, mas se amontoam perto da catraca.

Pra quem não é de Porto Alegre, vale uma explicação aqui: Esse ano foi implantado um sistema nos ônibus para dar desconto pros universitários. O estudante vai num lugar autorizado, paga uma taxa, comprova ser estudante e tira um cartão. Depois se compra créditos e recarrega o cartão. Ele funciona por RFID, então é só passar ele no leitor da catraca que o dinheiro é descontado do teu saldo, e a catraca destrava. É uma vantagem muito grande, visto que ao invés de 2,10 por passagem, nós estudantes pagamos 1,05, só meia.

Mas mesmo depois de 4 meses com o sistema funcionando, e pelo menos um mês que a frota toda foi equipada com os leitores, sempre tem um jaguara pra não conseguir usar o cartão. Coloca do lado errado, ou deixa muito longe, ou tira fora do tempo. E daí nós nos amontoamos do lado do motorista (aqui em Porto se entra pela frente agora).

Ou então deixam pra tirar o cartão / dinheiro de dentro da carteira, que está dentro do bolso interno da bolsa, abaixo de um livro de cálculo de 1800 páginas, e depois ainda guardam tudo antes de passar na catraca. E nós apertados do lado do motorista, que a essa altura já está na segunda parada.

Descer do ônibus é problemático também. Todo mundo parece querer descer ao mesmo tempo, e pisam no pé, empurram, se desesperam. Mas aí com razão, os motoristas nem sempre esperam todo mundo descer pra arrancar. Há umas semanas vi um coitado cair do ônibus porque ele arrancou enquanto ele estava só meio pra fora. Bonito mesmo foi ele dando bronca no motorista depois, e o povo todo botando pilha.

Nós precisamos não é de melhor transporte público (embora mais ônibus ajudassem, porque enfiar 100 pessoas num ônibus de 40 lugares é forçar), mas de conscientização do povo. Enquanto o povão for mal-educado do jeito que é, o transporte público vai ser sempre esse stress.

 
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