O Twitter pode ser uma ferramenta (?) fantástica para os blogueiros. Acompanhando as Twittadas dos outros blogueiros, dá para se ter uma idéia ótima do que rola atualmente na blogosfera, e tirar umas boas idéias para posts. Mas também dá para se auto-destruir com ele. Explico: Eu tenho muito mais facilidade e paciência para sintetizar uma idéia em 140 caracteres do que para espichar ela, explicar cada detalhe dela. Este post todo poderia ter sido reduzido, por exemplo, em “Nossa, 4 dias sem atualizar meu blog. Twitter ainda vai me deixar desempregado.” Pronto, 78 caracteres.
Explicar bem uma idéia, explorar cada detalhe dela, não é para qualquer um. Nem sintetizar tanto, diga-se de passagem, mas procurar cada parte de uma idéia que pode não ser compreendida de imediato por outras pessoas exige muita empatia, habilidade que eu não tenho. Eu preciso me utilizar de lógica para procurar isso, pensar de forma não linear, e isso é um esforço muito maior do que eliminar cada pedaço óbvio de uma idéia.
Óbvio… Algo sobre o que a minha mãe sempre me fala, por sinal, é que normalmente o que é óbvio para mim, não é para o resto do mundo. Seja por conhecimento prévio, seja por simples facilidade em entender o assunto, em utilizar pura dedução lógica.
Assunto blogueiro sempre tem, senão não mereceríamos o título. Gosto por escrever também, senão faríamos textos medíocres e não ganharíamos dinheiro com o que fazemos (não que seja uma profissão tão rentável, se comparar número de horas trabalhadas sobre lucro líquido). O que pesa mesmo é a lei do menor esforço. O esforço de esmiuçar um assunto, pensar nele até que ele se esgote, escrever sobre ele, ordenar o texto, revisar, achar vocabulário, formatar o post… Tudo isso é grande demais, tudo isso cansa. O que nos mantém blogando, muitas vezes, é pelo simples amor por emitir opinião, nos diferenciar da massa, mostrar que pensamos, que somos mais inteligentes que a maioria. O Twitter nos deixa fazer tudo isso, em 140 caracteres, mas a visibilidade não é a mesma. A importância não é a mesma. Ninguém vai ser lembrado como “Um dos maiores twitteiros do Brasil”, e ser lembrado é o que importa. Ser lembrado é o que nos motiva, é o que prova que a nossa opinião está sendo ouvida e discutida, que estamos fazendo algo, que servimos de exemplo (mesmo que seja um mau exemplo).
Em menos de um mês usando o twitter, eu notei que a produtividade do meu blog caiu drasticamente. Quantas idéias que joguei fora, que teriam dado ótimos posts, se não fosse pela comodidade que o Twitter nos dá. Então eu me comprometi a twittar menos e pensar bem antes de fazê-lo. Não dá para deixar a ferramente escravizar o criador [de conteúdo].
O Twitter tem vantagens demais para ser deixado de lado, porém. Ele é um ótimo meio de auto-promoção. Os textos são tão curtos que, antes de que seja possível se vale ou não a pena lê-lo, já é possível tê-lo lido. Daí para que as pessoas notem que vale a pena acompanhar o que tu dizes, é um passo.
Acompanhar gente inteligente também é ótimo, muitas vezes não é óbvio para nós que algo vale a pena ser comentado, que renderia um post, até vermos o dito assunto ser comentado por outras pessoas. Às vezes não é nada óbvio que a nossa opinião pode ser tão polêmica que um post mais completo sobre o assunto seria interessantíssimo.
Twitter é como beber vinho, recomendado para quem sabe o que está fazendo.
Posts Similares