Do Desconforto Intrínseco do Teletransporte
A idéia do teletransporte parece tentadora, não? Imagine, você entra numa cabine, grita “Beam me up, Scotty!“ e está em uma fração de segundos no seu destino.
Mas eu digo que seria proibitivamente desconfortável.
Pense comigo: você pode ir a pé para seu destino. A viagem é longa, mas a maioria das pessoas aproveita, e uma caminhada muito longa, de algumas centenas de quilômetros é considerada por muitos uma experiência mística.
Então é possível viajar mais rápido, de cavalo, por exemplo. Mas o desconforto aumenta um pouco, é necessário se equilibrar no cavalo, ou, no mínimo, se acostumar com o balançar da carroagem.
Aumentando um pouco a velocidade, pode-se utilizar um automóvel. Caso você dirija, é necessário prestar atenção no trânsito por eventuais contratempos, e o stress aumenta. Caso esteja num ônibus ou outra pessoa esteja dirigindo há também um desconforto, a sensação de bunda quadrada, o ar viciado e o possível enjôo.
E, se for de avião, então, a viagem é mais curta ainda, mas o desconforto é maior ainda. A pressão no ouvido, o enjôo, o ar viciado sendo respirado por dezenas de pessoas, o refrigerante quente…
Então podemos ver que o desconforto é inversamente proporcional ao tempo de viagem.
Se o tempo de viagem no teletransporte tender a zero, o desconforto tenderá ao infinito. Em outras palavras, você vai vomitar até o mingauzinho que a senhora sua avó preparava quando você tinha 3 anos.
E eu vou continuar andando a pé.










