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Contra a Evolução descontrolada da língua

Evolução, no título é usado num sentido bem generoso, que fique claro.

Você já falou com algum recém-graduado de Letras? A maioria deles vai te dizer que O Certo É O Que O Povo Fala™, o que é uma das maiores asneiras acadêmicas dentre as muitas que repassam para todos, de todos os cursos (como o coordenador da Engenharia da Computação da PUCRS que acredita que Química Fundamental é útil para o curso).

Toda a língua evolui, sofre mutações e se adapta ao seu meio. Novas palavras são inventadas e palavras antigas caem em desuso (hoje em dia até arcaico se tornou arcaico). E há um grupo que advoca por deixar a língua seguir seu rumo. Eu concordaria com isso se os falantes médios do português tivessem um QI superior ao número do seu sapato (©Cardoso), o que não é verdade.

Eu sou altamente gramaticalmente intolerante, mas até estava me controlando bem, me segurando pra não escrever este post, até ver isso:

LEIAUTE? ARE YOU FUCKING KIDDING ME?

LEIAUTE? ARE YOU FUCKING KIDDING ME?

(Via Twitter da Fabiane Lima)

Tem duas coisas muito erradas com isso: Layout é uma palavra em inglês e não deveria, em hipótese alguma, ser considerada uma palavra do português, embora o seu uso possa ser aceito. Leiaute… Tenho mesmo que explicar o que tem errado com LEIAUTE?

E isso só vai piorar, porque as crianças não lêem, acham que falar miguxês é bonito e ser culto é fora do comum, e, como tal, discriminado.

As linguas, bem como a vida, acham um jeito. A tarefa das pessoas cultas é fazer com que esse seja o melhor dos caminhos.

Só me entristece mais que isso é quando alguém me diz que não sabe usar mesóclise. Vamos lá, todo mundo:

Mesóclise: usá-la-ei!

Intolerância (ir)religiosa

Ser ateu é um perigo ocupacional. Na verdade, ser qualquer coisa, hoje em dia, é um perigo ocupacional. Eu tive um professor que dizia não formar opinião sobre absolutamente nada para evitar ser odiado. Não assistia futebol, votava em branco, ouvia MPB (nada contra, mas é uma escolha fácil, praticamente ninguém tem algo contra). Até ele era cristão.

Ser cristão é a norma, é a única coisa inteiramente socialmente aceita. Em dúvida, diga ser católico não-praticante, isto não vai te excluir de nenhum grupo de pessoas medianamente inteligentes. Já ser anti-cristão.

Prova disto é como há um número muito maior de termos pejorativos para os não-cristãos. Praticante de religião afro é automaticamente macumbeiro, e toda macumba ou saravá é maligno. Um crente (sem conotação pejorativa aí) nunca vai se referir a um ateu como “ateu”. A palavra dá medo. Se utilizá-la, será precedida de um artigo indefinido e carregada com asco. “Fulano é Um Ateu“, e não “Fulano é ateu“. Pode parecer insignificante, mas troque ateu por negro e todo o preconceito fica mais claro (no pun intended).

O perigo ocupacional está no fato de que crentes são intolerantes e têm absoluta certeza de que a sua fé (baseada em interpretações distorcidas de textos mal-traduzidos e alterados) é a única verdade™, aleluia e glória irmãos.

E, enquanto nós ateus também podemos ser religiosamente intolerantes, nós normalmente temos um mínimo de noção de não basear todas as nossas decisões nisso. Um ateu daria um emprego a um crente, mas o inverso é muito mais difícil de acontecer. Se você acha isto estranho, troque ateu por homossexual e crente por homofóbico. Os personagens mudam, o quadro é o mesmo. As minorias sempre têm a mente mais aberta.

Opa, minoria? Minoria em relação a quê? No quadro geral de religiões, sim, ateus são minoria, quando comparados com Cristãos, Muçulmanos, Hindus e afins. Agora, limitando-se o domínio da função, nós chegamos a dados mais realistas. Vamos ver qual o percentual de ateus com nível superior. Agora, com um diploma superior numa ciência exata. Trabalhando com pesquisa na área. Já devemos ter chegado perto dos 95%.

Basta ver que quem teve uma educação melhor, foi incentivado a ler e, principalmente, pensar, acaba se descobrindo ateu. Claro que este não é o único fator, de todos os que estudaram nas mesmas escolas que eu, devo conhecer uns 3 ateus hoje em dia. (Que se assumem ateus. Sair do armário é muito complicado, justamente por culpa da intolerância alheia). O MrManson escreveu um texto ótimo, aliás, convidando todos os ateus enrustidos a sairem do armário.

Esta intolerância não era tão visível há alguns anos. O movimento ateu nem mesmo existia há 20 anos, o que havia era alguns poucos corajosos que se declaravam ateus (e provavelmente eram apedrejados). Com o advento da internet e da pseudo-anonimicidade por ela provida muito mais ateus resolveram sair do armário. Mas com ela também veio a inclusão digital, e muita gente cujo único livro com o qual teve contato foi a Bíblia [1] teve a oportunidade de entrar em contato com a informação. Mas aí já era tarde demais. Já havia toda uma geração completamente brainwashed que não queria informação útil nova, e sim negar tudo o que lhes é contrário.

Estas pessoas parecem passar seus dias procurando no google por keywords como ateu, capeta, diabo ou pensamento racional para mostrar para todos os hereges deste mundo o caminho da salvação, porque nós obviamente não aceitamos o senhor Jesus Cristo nosso Deus e Salvador aleluia irmãos, glória, glória, porque não sabemos que temos a opção. É o mito da caverna dos dias modernos. Eles nunca conheceram um mundo onde o pensamento livre é não só valorizado como encorajado.

Isto gera pérolas como esta e praticamente qualquer thread no Fórum Góspel.

Para mim a maior marca da intolerância destas pessoas é a frase “vou rezar por você”. É mais ou menos como dar um DVD da Brasileirinhas para um homossexual na esperança de que ele descubra que gosta da coisa.

[1] Eu sei que é uma coleção de livros, não precisa explicar.

(Meu orgulho é ter escrito um manifesto ateu com, segundo o wordpress, exatas 666 palavras até aqui)

A arte de manipular estatísticas

Antes de começar, vamos fazer um teste bem rápido. Uma pesquisa revela que 18% dos acidentes de trânsito são causados por mulheres no volante. O que se pode concluir disso?

Vamos lá, pense. O que se pode extrair desta estatística?

A maioria das pessoas vai concluir que mulheres dirigem melhor. Isto não é, necessariamente, verdade. Vamos mudar o sujeito da pesquisa e ver o que é concluído. Digamos que a mesma pesquisa indique que 35% dos acidentes de trânsito são causados por motoristas embriagados. Se você aceitar na primeira que isso se deve a mulheres dirigirem melhor que homens, você é obrigado a aceitar que dirigir embriagado é mais seguro do que dirigir sóbrio.

A segunda estatística é parcialmente válida. Ela não considera os acidentes indiretamente causados por motoristas bêbados, muito provavelmente, porque isso elevaria muito a proporção.

Já a primeira estatística não prova absolutamente nada. Digamos que o número de mulheres motoristas seja 5 vezes menor do que o de homens. Ignorando-se esta proporção, o valor parece baixo, mas se ela for levada em conta, vê-se que mulheres causam muito mais acidentes que homens. Vale lembrar que todos esses dados são hipotéticos.

A proporção correta deveria ser total de acidentes causados por mulheres pelo total de mulheres motoristas comparado ao total de acidentes causados por homens pelo total de motoristas homens. Só assim obtem-se uma idéia real de quem dirige melhor.

Esta é uma estratégia muito utilizada por empresas de software e partidos políticos. Mostrar estatísticas parciais, muitas vezes contra estatísticas totais, de modo a distorcer o resultado final, aproveitando-se da falta de conhecimento do brasileiro típico da teoria de conjuntos e de sua incapacidade de trabalhar com números percentuais.

Por essas e outras o ensino de matemática na escola deve ser profundamente revisto, aumentando sua carga-horária e mudando o método. O sistema está quebrado e o único modo de consertá-lo é repensar seus fundamentos.

É difícil se adaptar a outro país?

Se você é do tipo de pessoa que faz esta pergunta, a resposta é não.

Eu já cansei de ouvir esta pergunta, além de todas as suas variações. Outro que deve ouvir isso três vezes ao dia é o Izzy Nobre, que mora no Canadá, lucky bastard.

Antes de fazer esta pergunta é necessário, na verdade, fazer algo que muitos não estão acostumados a fazer: pensar. É difícil mudar de escola? De condomínio? De cidade? Chegar na casa da namorada nova? Com certeza pelo menos uma dessas coisas aconteceu contigo. Basta extrapolar.

A bem da verdade, não existe uma resposta pronta para esta pergunta, varia de pessoa para pessoa. Se você ainda está curioso, não, não é difícil eu me adaptar fora do Brasil. Difícil é me adaptar a ele.

Obviamente vai ser difícil para as pessoas do tipo que sentem, muito mais do que para aquelas que pensam. Sim, são mutualmente exclusivas. Nenhuma pessoa sente e pensa ao mesmo tempo.

Essas pessoas, as que sentem, têm mais dificuldade de se adaptar a ambientes diferentes (e isso vale para qualquer ambiente novo, seja a academia, a escola ou um país) porque tendem a se apegar demais a lugares. Quem sente é um ser de hábito – e todo hábito é mau.

Claro que um país diferente tem algumas barreiras maiores a serem quebradas. A cultura de um lugar pode ser diferente, e a língua, com certeza, é um fator de suma complexidade. Nesse caso vale o jogo de cintura: -Vocês são brasileiros, afinal de contas!

Falando em brasileiros, a maioria tem o péssimo hábito de tentar levar o Brasil consigo para o exterior. É só notar a quantidade de churrascarias, casas de pagode, comunidades de brasileiros e até mesmo CTGs espalhados pelo mundo. Isso é um hábito terrível, é impossível se adaptar a outro lugar sem viver seu dia-a-dia, sua cultura. Isso não significa deixar para trás tuda a sua bagagem cultural – apenas parte dela.

Outra preocupação comum é com o preconceito e a xenofobia. Sim, eles existem em todos os lugares, é da natureza humana. Mas isso não é regra nem excessão. O melhor que se tem a fazer é agir como um nativo. A fonte de toda a xenofobia é o medo de ter a sua própria cultura destruída por outro povo. Entenda, a cultura de um povo é a única coisa que ele tem dele mesmo. Uma tentativa de alteração por uma entidade externa é equivalente à tentativa de abdução de um filho de sua mãe – e o povo reagirá como tal.

Basicamente, será tão difícil se adaptar quanto você o fizer. Pense, não sinta, e tente se adaptar, e você estará em breve integrado à sua nova sociedade.

Deus está morto. Deus permanecerá morto. E nós o matamos.

Ser ateu é tarefa árdua. Na verdade, é mais fácil as pessoas aceitarem um usuário de drogas, um homossexual ou um emo do que um ateu.

Chega a ser engraçado como os crentes (sem sentido pejorativo aqui) se utilizam da sua lógica religiosa para tentar te convencer. “Oh não! Você está negando a Deus! Aceite Deus em sua vida agora ou você se arrependerá! Se você não acreditar em Deus ele vai te punir, te mandar pro inferno, te torturar por toda a eternidade. E Deus te ama, OK?“. Ridículo.

Eu nem vou entrar no assunto de que a religião é só um meio para controlar as massas, conclusão a qual eu cheguei durante a minha catequese (sim, eu fiz), e enquanto ainda tinha chances de ser corrompido pelo pensamento irracional. Vou deixar isso para o tio dos vídeos abaixo:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=JGwAEhkmsSU[/youtube]

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=CF1-IS0yDCs[/youtube]

Como diria Friedrich Nietzsche, “eu não posso acreditar que há um Deus, porque se houvesse um, eu não poderia aceitar que eu não fosse Ele”.

 
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